Não sou nenhuma especialista no assunto, mas estudo pedagogia - e não sei se realmente vou lhe dá com os pequenos ou vou me especializar em linguística - e sempre faço uma analogia com a matriz do meu curso (que é o foco na educação infantil, apesar de ser um leque de opções de áreas) com o que eu amo fazer: ler. Em casa, eu tenho um primo de 6 anos, mais conhecido como Joca. Um menino muito danadinho e que não para sentado, sempre tem que tá brincando, riscando ou lendo. O orgulho da prima quando lê, quando acerta as palavras que mais tem dificuldade para ler e entende o que leu. E é nele que vou me basear.
Muitas crianças sabem ler, digo no sentido de traduzir o que tá escrito, mas o problema é quando essa criança não consegue decifrar o que leu, não consegue interpretar. E muitas vezes são frases simples, que apesar da pouca idade - 6, 7, 8 anos - já deveriam entender. Mas é importante ressaltar que cada criança tem seu tempo de aprender a falar corretamente, andar, entender a fala de outras pessoas e também de compreender o que está lendo. Em um breve momento de nostalgia, eu lembro que quando tinha por volta de 10 anos eu queria porque queria ler a Bíblia, mas quem disse que eu conseguia entender um versículo?!
Eu amo crianças, e quando o assunto é leitura + criança = amor à primeira vista. Eu acho muito lindinho criança lendo, mesmo aquelas que a palavra que contém "l" sai com som de "r", "o" com som de "a". Não importa! É importante deixá-las buscar no seu íntimo o gosto pela leitura, mas claro, incentivar também faz parte. Voltando ao meu primo, ele tem alguns livrinhos de histórias dos três porquinhos, a branca de neve, seu leitão, lobisomem, entre outros. E toda vez que ele pedia pra eu ler, já que na época ele ainda não sabia, às vezes eu ficava com preguiça de parar de fazer o que eu estava fazendo para ler para ele. Depois de um tempo, na faculdade, eu estudei psicologia da educação e educação infantil, as duas disciplinas que me despertaram para a importância de ler para uma criança.
Hoje ele sai lendo tudo o que tem de letra na frente dele, anúncios em paredes, nomes de jornalistas no jornal, títulos dos meus livros, nome em documentos; é sério, tudo o que vocês possam imaginar que forme palavra. Aí ele diz assim: Tati (sim, ele me chama da Tati), eu vou ler uma história pra ti, mas se eu falar uma palavra errada, me diz tá? O problema é que, nós não devemos corrigir enfaticamente quando a criança fala errado. Por exemplo: se ela falou a palavra trabalho errada, você não vai dizer que tá errado, você deve apenas repetir a palavra na frase seguinte a conversa, de modo que ela possa visualizar o erro dela sem ser repreendida.
Eu não sei exatamente porque vim escrever esse post, acho que estou no caminho certo, e esse me interessa muito. Sempre fico buscando coisas que eu possa associar a leitura, aos livros, ao mundo fantasioso. E nessa mesma engrenada, eu fiquei conhecendo um projeto chamado ESPAÇO CULTURA NOSSA BIBLIOTECA. Ele acontece aqui em Belém, no bairro do Guamá, um local que tem um certo índice de assaltos e violências em geral. E ambuiguamente ao lado ruim do bairro, há esse projeto que foi aprovado esse ano pelo Criança Esperança. O objetivo deles é levar a leitura e os livros para as crianças das camadas populares. E claro, eu fiquei louca quando soube disso, já que eu morro de vontade de fazer parte - ou até mesmo de montar - um projeto desses. No próximo post sobre A Importância da leitura para crianças, eu irei falar só deles, apresentar para os nossos leitores e quem sabe alguém possa fazer doações de livro usados.
Link do projeto: http://ecnb.blogspot.com.br/